Contábil
29 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Regime tributário: a revisão que quase sempre paga o ano

Simples, Presumido e Real mudam de lugar conforme a margem e a folha.

Revisão de regime tributário não é otimização agressiva. É conferir se a escolha feita há cinco anos ainda é a melhor hoje. Em boa parte dos casos, não é.

O que pesa em cada regime

Simples Nacional. Alíquota única sobre a receita, por faixa e por anexo. Simplifica a rotina e favorece empresa de margem baixa e folha alta em alguns anexos — mas o fator R muda tudo, e perto do teto a alíquota efetiva sobe até deixar de compensar.

Lucro Presumido. O fisco presume a margem (variando por atividade) e tributa sobre ela. Favorece quem tem margem real acima da presumida. Prejudica quem tem margem apertada: paga sobre lucro que não existe.

Lucro Real. Tributa o lucro efetivo. Vale quando a margem é baixa, quando há prejuízo a compensar ou quando os créditos de PIS/Cofins não cumulativos são altos — indústria e empresas com muito insumo, em geral.

Os três números que decidem

  • Margem líquida real. Comparada com a margem presumida da atividade.
  • Peso da folha sobre a receita. Determina o fator R e altera o anexo no Simples.
  • Volume de créditos. Insumos, energia, frete e serviços tomados que geram crédito no regime não cumulativo.

Sem esses três, qualquer recomendação é chute.

Quando revisitar

  • Ao cruzar faixas de faturamento.
  • Quando a folha muda de patamar, para cima ou para baixo.
  • Quando a margem cai de forma estrutural.
  • Quando entra atividade nova com CNAE diferente.
  • Uma vez por ano, de qualquer forma, antes do prazo de opção.

Um alerta

Existe uma linha entre elisão e evasão, e ela é mais estreita do que a propaganda sugere. Estrutura montada só para reduzir imposto, sem propósito negocial, tende a ser desconsiderada — e aí o custo é o tributo, mais multa, mais juros, mais o honorário de quem vendeu a ideia.

O ganho legítimo costuma ser suficiente. Nas revisões que fizemos, a diferença entre o regime escolhido e o regime adequado quase sempre pagou o trabalho no primeiro semestre.

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